sábado, 21 de dezembro de 2019

A "nossa" homenagem póstuma ao "ti Tomé"


Há já algum tempo que não escrevia neste blogue. Pouco depois de publicar a notícia da inauguração da ETAR e ao abrir o Facebook encontro a triste notícia do falecimento do Sr. Tomé, do “Ti Tomé” veiculada pela página do João Azadinho, cujas palavras transcrevo, seguidas de alguns comentários publicados naquela rede social.

“Hoje Travanca do Mondego fica mais triste… O nosso Ti Tomé deixou-nos…e já temos saudades…do sorriso, das gargalhadas, dos piropos, das cantorias,…

Em 2013, como Presidente de Junta, prestámos-lhe uma justa homenagem, exatamente por ser aquilo que sempre foi…maior que o seu próprio tamanho.

Recordo aqui as palavras lhe dediquei nessa cerimónia:


"Nasceu a 19/07/1932 em Telhado, concelho de Penacova. Aos 10 anos veio viver para Travanca do Mondego, onde casou com Adélia Luísa Duarte, vivendo atualmente na localidade dos Covais.
Participa com gosto, ainda hoje em todas as atividades da freguesia. Fez parte do Rancho Folclórico Estrelas do Mondego e anos mais tarde também do Rancho Mensageiros da Paz. Marcou presença em inúmeras ocasiões, nas marchas Populares de Travanca do Mondego.
Quem não se lembra da pessoa que na visita pascal ia à frente a tocar o sino e a recolher umas amêndoas? E no domingo de ramos, apesar da sua baixa estatura, fazia questão de levar sempre o ramo maior!
E quem o quiser ver feliz é dar-lhe uns ferrinhos, para tocar e cantar umas boas modas!
Homem simples, honesto e dedicado, recebe hoje uma merecida palavra de carinho de todos nós!
Tomé Teixeira, o nosso Ti Tomé!"
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Alguns comentários do Facebook:

RITA VICTOR Ao longe ouvia o ruído do carro de bois do Ti Tomé, corria para a varanda na inocência da infância para ver os bois, carinhosamente chamava-me para fazer uma festinha nos ditos bichos que apesar do encanto de os ver, tocar-lhe já era outra história!! Tinha sempre um sorriso uma palavra, um beijinho! Até há pouco poderia não saber chamar-me de Rita mas sabia bem dizer que era a filha da Saozita!! Ficará eternamente no coração e ligado a aldeia de Travanca!! Até sempre Ti Tomé! Meus sentimentos a toda a família

FERNANDO FONSECA Os meus sentimentos a toda a família. Existem pessoas que vamos encontrando na vida que nunca nos esquecem. A simplicidade, alegria, humildade, o sorriso verdadeiro, o brilho do olhar, a sã brincadeira, são das melhores coisas que qualquer pessoa pode deixar. Obrigado Ti Tome ... até um dia.


MANUEL PINTO CAETANO São homens assim que sempre serão lembrados pelo povo honesto e simples. Que o Senhor o tenha recebido numa morada superior a qualquer morada de Covais. Domingo à tarde voltarei segunda vez a Travanca para me associar aos que sabem apreciar a gente do povo.

DAVID G. DE ALMEIDA É com profundo pesar que acabo de saber desta triste notícia. Seu vizinho durante muitos anos nos Covais, dele recordo a sua alegria, boa disposição, as suas brincadeiras de Carnaval, a sua enorme capacidade de trabalho com a sua junta de bois (que muitas vezes acompanhei a lavrar terras, na sementeira do milho, a carregar estrume, a carregar poceiros de cachos da Bica...) nos duros trabalhos da malha do trigo com a máquina debulhadora... tantas recordações... A participação sempre generosa em actividades culturais, no Rancho e depois no Grupo Etnográfico "Mensageiros da Paz", nas Marchas de Travanca… A sua voz e a sua presença inconfundíveis eram marca que fica deste homem educado, simples e honrado. Que Deus, na sua infinita misericórdia, lhe dê o lugar merecido. Para a família as mais sentidas condolências.

CARMEN ROJAIS Travanca do Mondego está triste, está de luto, o nosso Ti Tomé deixou-nos e a falta que nos vai fazer. Homem simples e afável amigo de ajudar, amigo de participar.
Um Homem de um coração gigante, de uma alegria contagiante, como não gostar do Ti Tomé!Amigo de beijinhos e abraços de uma educação sem tamanho, nem com o seu "grãosito" na asa o Ti Tomé era mau... cantava, cantava o seu marinheiro...Em 2011 com muito gosto, fomos padrinhos da marcha e tão contente que ele ia sempre, foi um gosto muito grande ir de braço dado com este senhor! Obrigado Ti Tomé, sentiremos muito a sua falta, jamais o esqueceremos, ficará nos nossos corações!

Nascido em Telhado, com dez anos veio para a nossa aldeia, para a casa que agora é dos meus pais, na altura do meu bisavô Rojais, para moço de servir e tratar dos bois. Não pensem que era tarefa fácil, o meu bisavô prezava por ter uma parelha de bois gigantes e bem constituídos (como diziam, dois castelões).
Por se desenvencilhar tão bem passou a moço de carreira, (quem andava na frente dos bois) e mais tarde subiu novamente de posto. Só saiu da quinta do Cabeço quando se casou, mas continuou com uma grande estima pela nossa família.
Então as meninas, para ele eu e a minha irmã seríamos sempre as meninas, assim como muitas outras, que mesmo depois de adultas, ficámos sempre meninas.

Obrigada pelas lições de vida, pelas canções que nos ensinou, pela herança maior que nos deixou, a sua alegria e humildade. Até sempre, repouse em Paz, a esta altura já deve estar animar o céu, a cantar o seu marinheiro!

Estação de Tratamento de Águas Residuais de Travanca do Mondego foi inaugurada




A estação de tratamento de águas residuais (ETAR) de Travanca do Mondego foi inaugurada no dia 19 pp. Presidida pela secretária de Estado do Ambiente, Inês dos Santos Costa, a cerimónia de inauguração, dez anos após ter sido iniciado o processo, decorreu salão nobre dos Paços do Concelho, devido às condições atmosféricas.

A obra, que incluiu a construção da ETAR referida e da estação elevatória de águas residuais (EEAR) do Silveirinho, teve um custo aproximado de 800 mil euros, cofinanciado em 85% pela União Europeia, através do PO SEUR.

Esta ETAR vai descarregar as águas tratadas na Bacia Hidrográfica da Barragem da Aguieira (ribeiro do Paço), pelo que a Agência Portuguesa do Ambiente exigiu que seja feita a remoção total de nutrientes nesta estação, disse Mário Azevedo, da AdCL.

Tem capacidade para tratar em média 66 metros cúbicos de efluentes líquidos por dia.

O Subsistema de Saneamento de Travanca do Mondego inclui a estação de tratamento de águas residuais (ETAR) de Travanca do Mondego e estação elevatória de águas residuais (EEAR) de Silveirinho. Este subsistema, cujo investimento rondou os 800 mil euros, financiado pela União Europeia através do POSEUR – Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos, vai  servir as populações de parte do lugar de Silveirinho, da freguesia de São Pedro de Alva e as populações dos lugares de Covais, Lagares, Portela e Travanca do Mondego, representando 625 habitantes-equivalentes.







Na ETAR de Travanca do Mondego o tratamento do efluente é feito numa instalação compacta, pelo processo de lamas ativadas com remoção de azoto e fósforo, em regime de baixa carga e arejamento prolongado, por sistema de fluxo contínuo. A água tratada será rejeitada na linha de água designada por ribeiro do Paço.

A EEAR de Silveirinho é uma infraestrutura de pequena dimensão, constituída por tamisador, poço de bombagem e câmara de manobras, que irá elevar o efluente da população residente de Silveirinho até à ETAR. Esta infraestrutura é constituída por um tamisador com grade mecânica, onde ficam retidos os resíduos sólidos, com recolha mecânica para contentor. Após a tamisagem o efluente é encaminhado para o poço de bombagem, onde será efetuada a sua elevação por um grupo submersível (2 unidades de bombagem), para um caudal de 6 l/s.

A empreitada foi adjudicada, a 5 de março de 2018, ao consórcio formado pelas empresas Cipriano Pereira de Carvalho & Filhos e OMS – Tratamento de Águas, Lda., tendo estando a fiscalização a cargo da Rioboco, S.A.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Jardim de Infância assinalou 40º aniversário e homenageou funcionários e beneméritos



O jornal "Comarca de Arganil" publicou no dia 7 de Setembro uma notícia sobre o Jardim de Infância, cujo texto se transcreve:

Em 14 de Setembro de 1976 abriu em Travanca do Mondego o primeiro Jardim de Infância do concelho de Penacova. Numa época em que a educação pré-escolar era uma novidade nos meios rurais, o Padre António Oliveira Veiga e Costa, atento aos problemas sociais das paróquias que há pouco lhe haviam sido confiadas, tomou em mãos uma obra pioneira e que acabaria por revolucionar a freguesia de Travanca e principalmente o Alto Concelho de Penacova.  As dificuldades iniciais foram vencidas. O Jardim de Infância, que abriu com 25 crianças, passados 5 anos contava já com 40. Entretanto o Centro Paroquial de Bem-Estar Social de Travanca do Mondego ia alargando a sua acção a outras vertentes educativas e culturais: colónias balneares, escola de música, grupo etnográfico, biblioteca, escutismo, grupo coral… Também a criação da Telescola, nos anos 70, por iniciativa daquele sacerdote, completava a dinâmica cultural e educativa que a freguesia estava a viver. Um vasto conjunto de iniciativas que marcaram indelevelmente não apenas Travanca do Mondego mas todo o concelho de Penacova.
Ao terminar o ano lectivo 2016/2017 o Jardim de Infância promoveu, como vinha sendo habitual, a sua Festa de Encerramento. Dado que se assinalavam 40 anos de funcionamento, o Centro Paroquial decidiu alargar o convite a todas as famílias, bem como à Câmara Municipal, Junta de Freguesia e Associação Recreativa e Cultural.
O Encontro-Convívio teve lugar na tarde do dia 16 de Julho. A festa iniciou-se com a actuação das crianças do Jardim de Infância e entrega de diplomas aos “finalistas”. De seguida, o Dr. David Almeida dirigiu-se, em nome da Direcção, a todos os presentes, começando por cumprimentar, de um modo especial, o Dr. João Azadinho, vice-presidente da Câmara e Luís Pechim, Presidente da União de Freguesias de Oliveira e Travanca. Saudou ainda todos os elementos do Grupo “Cantar Travanca do Mondego” e do Grupo “Trigo Maduro”, de Figueira de Lorvão, que generosa e simpaticamente se disponibilizaram para dar ainda mais brilho ao programa, que desde a primeira hora se pretendeu que fosse muito simples.
Numa breve alocução, aquele membro da Direcção evocou três palavras, que no seu entender, deveriam ser sublinhadas: Encontro, Memória e Gratidão.  Encontro de gerações, encontro de atuais e antigos “alunos”. Encontro de pessoas, de instituições, de famílias, que ao longo de quatro décadas acarinharam este projecto. Memória de acontecimentos e de pessoas, recordações emotivas de muitos e bons momentos que aqui se viveram.  Gratidão, em primeiro lugar, “para com o grande obreiro do Jardim de Infância, o Senhor Padre Veiga” não esquecendo as pessoas já falecidas que com ele colaboraram de perto no arranque do Jardim: os senhores Eduardo Videira, José Martins dos Santos, Joaquim Fernandes, António Alves Rodrigues e José Duarte Ramos. Foi também recordado o Dr. Eurico Almiro Menezes e Castro, recentemente falecido, e que foi sempre um grande amigo e admirador desta obra e dos seus promotores.
De registar ainda uma palavra de agradecimento às entidades que ao longo destes anos apoiaram o Centro e de um modo especial o Jardim de Infância “reconhecendo sempre o alcance social desta obra e depositando total confiança nos seus responsáveis.”  Gratidão também “para com todas as pessoas que trabalham e trabalharam no Jardim de Infância, quer a título voluntário, quer com vínculo laboral.” Nesse sentido foi, de seguida, prestada uma singela, mas sentida homenagem à actual Educadora de Infância, Celeste Costa, e às suas colaboradoras, Ismália Ferreira, Luísa Duarte e Isabel Santos, “reconhecendo a sua dedicação, o seu empenho e o seu profissionalismo”, conforme ficou gravado nas placas de homenagem que lhes foram oferecidas. Não tendo sido possível reunir todas as pessoas que passaram pelo Jardim de Infância, para elas foi um sentido bem-haja. O reconhecimento e a homenagem estendeu-se também a um travanquense radicado em França, “ao distinto Benemérito, Sr. Júlio Gonçalves Viseu, um Português no Mundo, um Amigo da sua terra” que ao longo dos anos sempre, com a sua inexcedível generosidade, se disponibilizou para apoiar o Jardim de Infância. E, falando de gratidão, é de referir que fica em falta uma justa homenagem à pessoa que durante 40 anos dedicou a sua vida ao bem-estar das centenas de crianças que frequentaram o Jardim de Infância. Falamos da D. Palmira Gonçalves Viseu. Apesar de já ter sido, oportunamente, homenageada pelo Município de Penacova e pela Junta de Freguesia, a paróquia fica-lhe ainda a dever esse gesto.      

O encontro prosseguiu com um lanche partilhado no Adro da Igreja, onde não faltou o porco no espeto e o refrescante fino e contou com a presença de muitas famílias e também do Sr. Presidente da Câmara. Apesar de se perspetivar a curto prazo o encerramento do Jardim, por falta de inscrições, o são convívio, a boa disposição e a amizade, não deixaram de estar presentes.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

domingo, 2 de julho de 2017

Marchas desfilaram pelo 16º ano consecutivo

Mais uma vez a tradição se cumpriu em Travanca. Mais uma vez, um grupo abnegado de pessoas de todas as idades, com o apoio da Associação Recreativa e Cultural, actualmente presidida pelos Sr. José Henriques, levou avante a organização da Marcha, que actuou em diversos locais da região e trouxe até nós outros grupos.





Ontem, 1 de Julho, no Campo do Areal, marcaram presença, além da Marcha de Travanca, as Marchas de Mata do Maxial, Foz de Arouce, Caldelas (Leiria), Semide e Taveiro (Marcha da Barqueira).
Este ano, a Marcha de Travanca teve como tema “A Flor” e foi “apadrinhada” pelo casal Maria Otília e José Arménio Azadinho. Esta foi a edição nº 16º. Veja AQUI notícias de alguns dos anos anteriores.


AS MARCHAS POPULARES NA TRADIÇÃO PORTUGUESA

Crê-se que esta tradição portuguesa terá começado em Lisboa a partir do século XVI ou, segundo outras opiniões, desde o século XVIII, inseridas nas tradições são-joaninas que têm lugar um pouco por todo o país, com as suas características fogueiras e festões, manjericos e alho-porro.
No entanto, as marchas populares da capital, tal como atualmente as conhecemos, datam a sua origem de 1932. Possuindo as suas raízes mais próximas nas tradições joaninas, as “marchas populares” depressa obtiveram a adesão popular. Em 1936, quatro anos após o primeiro desfile organizado em Lisboa, saíram à rua na cidade de Setúbal para, com o decorrer dos anos, iniciativas semelhantes se estenderem a todo o país.

Organizadas pelas coletividades de cultura e recreio, as “marchas populares” passaram a escolher preferencialmente temas relacionados com os aspetos pitorescos e a história dos seus bairros. Em relação à coreografia e à indumentária, caracterizam-se invariavelmente pela fantasia e a teatralidade, não revelando em qualquer dos casos quaisquer preocupações de natureza folclórica e etnográfica, pelo menos na sua perspectiva  museológica ou seja, de preservação da sua autenticidade. Constituindo o folclore o saber do povo, é este que cria a sua própria festa e constrói o saber à maneira do seu carácter, à sua feição e modo de entender o mundo que o rodeia, adaptando-o sempre a novas realidades. 

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

100 anos a celebrar S. Sebastião


São Sebastião nasceu em França, mas cresceu em Milão, terra de sua mãe. Viveu na 2ª metade do séc. III. Ao atingir a idade adulta, alistou-se como militar nas legiões do Imperador Diocleciano chegando a ser comandante da sua guarda pessoal. Nessa destacada posição, tornou-se grande apoiante dos cristãos perseguidos em Roma. Foi denunciado por um soldado e o imperador tentou, em vão, fazer com que ele renunciasse ao cristianismo. Acabou por ser martirizado no dia 20 de Janeiro do ano de 288. Mais tarde, no séc. VII, as suas relíquias foram solenemente transladadas para uma basílica construída em Roma pelo Imperador Constantino. Naquela ocasião, uma terrível peste assolava a cidade, mas a partir daquela data a epidemia terá cessado milagrosamente. A partir daí, S. Sebastião passou a ser venerado como protector contra  a peste, a fome e a guerra.
Em Travanca, São Sebastião é especialmente celebrado desde 1917. (SAIBA MAIS) Por essa altura, a peste pneumónica assolou muitos países da Europa, incluindo Portugal. Sucumbiu muita gente, mas nesta freguesia ninguém terá morrido com a doença. Então, um casal, Sr. Joaquim Martins dos Santos e Sra. Ana Maria Martins da Conceição, juntamente com o Pároco, padre José Duque Nogueira, decidiram, como prova de gratidão, instituir a Festa que ainda hoje se realiza. Estas informações fazem parte do livro que em 1997 o Padre António O. Veiga e Costa publicou. (veja também AQUI) Ainda existem exemplares disponíveis para aquisição de quem o quiser fazer.
Em homenagem a S. Sebastião e a todos os que ao longo destes cem anos organizaram a festa e promoveram esta devoção, a paróquia vai,  mais uma vez assinalar o dia 20 de Janeiro com Missa  às 14.00 horas, seguida de Procissão e do tradicional leilão de oferendas.



sábado, 24 de setembro de 2016

Memórias tristes das Invasões Francesas em Travanca de Farinha Podre

Depois de termos referido (no Blogue Penacova Online) com algum pormenor aquilo que se passou em Farinha Podre (actual S. Pedro de Alva) e em S. Paio de Farinha Podre (actual S. Paio do Mondego), damos agora continuidade a este assunto, trazendo à memória dos leitores as horas trágicas que também a freguesia de Travanca de Farinha Podre viveu, em parte há precisamente 205 anos feitos hoje, e depois, pela segunda vez, no início da Primavera seguinte.

De acordo com o relato do Prior António Paulino Coelho de Mesquita,(nome que se encontra gravado na pedra da porta principal da igreja) datado de 13 de Abril de 1811,  os franceses entraram duas vezes em Travanca: nas vésperas da Batalha do Bussaco (Setembro de 1810) e em Março de 1811.
Da primeira vez, entraram na igreja, “arrancaram as pedras de Ara, quebraram uma, lançaram todas as demais pelo pavimento, assim como todas as toalhas e paramentos”. Nas capelas não entraram. Nas casas poucos estragos e roubos fizeram: apenas alguns sacos de grão. No entanto, é referida a morte de dois homens. Um seria de Venda Nova de Cima (freguesia de Farinha Podre) e “outro não se sabe de onde”.
Em Março, entre 16 e 18, também assaltaram a igreja, tirando galões a todas as vestimentas e capas. Além disso tiraram as relíquias a uma pedra de Ara, “arrombaram o sacrário pela parte de trás e tiraram o forro e cortinas”.
Nos anexos da igreja “arrombaram a porta do armazém de azeite donde tiraram algum”. Na residência paroquial “quebraram e roubaram tudo o que apanharam”. Na freguesia queimaram sete das melhores “moradas de casa”, com prejuízos de “mais de vinte mil cruzados”.
Em Lagares mataram Manuel Rodrigues, casado, “sapateiro”, já passado dos 80 anos. Um outro foi vítima de várias cutiladas. Aprisionaram uma mulher casada “a qual deixaram”. Na tabela feita pelo Arcipreste de Sinde lá aparece registada na coluna das mulheres violadas”...

sábado, 17 de setembro de 2016

No 10º aniversário da sua morte recordar a vida e a obra do Padre António Oliveira Veiga e Costa

Faz  precisamente hoje 10 anos que o Sr. Padre Veiga foi a sepultar no cemitério de Travanca. Falecera a 15 de Setembro de 2006. O jornal Nova Esperança, que fundara e dirigira, dedicou-lhe um espaço especial na edição de 30 de Setembro desse ano. É essa memória e essa homenagem que hoje aqui recordamos :


"PELA VIDA E OBRA A NOSSA HOMENAGEM

Aos trinta e cinco anos descobriu a sua vocação, ordenou-se sacerdote em 15 de Agosto de 1967 e assim se dedicou a Deus e ao Mundo. Quis Deus que no ano seguinte, após exercer funções de coadjutor na paróquia de S. José de Coimbra, viesse para este concelho, onde serviu as paróquias de Travanca do Mondego (onde residiu), de Oliveira do Mondego e de Almaça. Trazia consigo um propósito: “Servir o Altar da Reconciliação e Servir o Apostolado Social”. Trazia também um apelo aos seus novos paroquianos: serem pela vida fora um sinal mais”.
Homem de Fé mas também Social, assim começou a sua luta por fazer o Bem e melhorar a qualidade de vida das suas paróquias a começar pelos mais pequenos.
No ano de 1971 iniciou as Colónias Balneares infantis na Praia de Mira, a oportunidade de muitas crianças e adolescentes verem pela primeira vez o mar e fortalecer a sua saúde.
Em 1976 nasceu a sua primeira obra, o Centro Paroquial de Bem-Estar Social a par do arranque do Jardim de Infância. Começou a ser frequentado por 24 crianças. As actividades tinham lugar nas instalações provisórias da residência paroquial, com a orientação de duas Educadoras Estagiárias da Escola de Educação de Infância de Coimbra.
Em 18 de Agosto de 1976 iniciou a campanha de recolha de ofertas para obras de adaptação de duas salas anexas à Igreja Paroquial. O Estado apoiou através do Instituto de Apoio à Família e a Fundação Calouste Gulbenkian ofereceu todo o equipamento interior e exterior: material didáctico, mobiliário e parque infantil.
Á esq. página assinada pela Equipa do NE; à direita testemunhos de penacovenses

Para o Jardim de Infância viveu e mais conquistou:  em 1980 foi construído também um salão polivalente; em 1982 adquirida uma carrinha, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e em 15 de Maio de 1883 inaugurado um refeitório.
Além do apoio à infância o Centro Paroquial foi desenvolvendo diversas actividades ao longo destes anos: teatro, festas-convívio, escola de música, grupo coral, alfabetização, escutismo, etnografia e folclore.
Em 7 de janeiro de 1983 foi criada a Escola de Música que chegou a ter, em 1987, 50 alunos. Assinalando o Ano Internacional da Paz (1986) o Centro Paroquial, com o apoio de um grupo de jovens, fez uma recolha do património cultural que culminou com uma exposição de antiguidades e com a criação do Grupo Folclórico “Mensageiro da Paz”.
A educação e a cultura foram os lemes sociais que orientaram a sua obra, não descurando as bibliotecas paroquiais, procurando sempre apoios e donativos, quer de longe, quer de perto, sem medo e acreditando que a fé move montanhas. Desde a Telescola onde teve um papel primordial, ao Jardim de Infância, às Colónias de Férias, ao Rancho,  às sucessivas obras de beneficiação, são exemplos bem vivos de um grande esforço e dedicação. De entre todas as obras do Sr. Padre Veiga salientamos a edição do livro “S. Sebastião”, em 1997.
Em Janeiro de 1980, ajudado pelo Prof. Egídio Manuel Fialho Santos e pelo Sr. Alcibíades da Conceição Ferreira decidiu dar vida ao Nova Esperança. Com a recolha das notícias e escolhido o logotipo do jornal, começou a ser composto e impresso na Gráfica de Gouveia. As edições sucederam-se e os colaboradores também. Relembramos o Sr. Reinaldo Dinis e o Sr. António Tavares, que ajudaram a manter e a desenvolver este órgão de informação. Em todas as suas fases o Nova Esperança teve um denominador comum: o Sr. Padre Veiga. Com décadas ao serviço das paróquias do concelho, o Sr. Padre Veiga, nosso Director, foi sem dúvida a força propulsora, não só do jornal, mas de todo um trabalho e dedicação social que muito agradecemos. Ao nosso fundador queremos aqui homenagear o esforço, o interesse e dedicação, nas obras que deu origem, na certeza de que a sua vida não foi em vão e que as suas obras se manterão vivas perpetuando a sua memória.
Bem-haja Sr. P.e  Veiga por tudo o que nos deixou…e pela dedicação ao serviço dos outros.
JNE 


António Oliveira Veiga e Costa nasceu em Peso – Sernancelhe, a 13-06-1932,
Estudou em Coimbra e aí foi ordenado em 15-08-1967.


Nos 25 anos do Jardim de Infância,
 ao lado do Vigário Geral da Diocese, Monsenhor Leal Pedrosa

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Nicho de Nossa Senhora dos Caminhos já foi restaurado

Imagem do Nicho após o restauro


O Nicho de Nossa Senhora dos Caminhos foi recentemente restaurado. No início do ano alertámos para o mau estado em que se encontrava. Em virtude desse reparo ou não, o certo é que agora temos de novo a Imagem e o Nicho no seu conjunto com muito melhor aspecto.
Recorde-se que este Nicho foi inaugurado em Março de 1966, portanto há 50 anos, por iniciativa do Padre Jorge Marques dos Santos e em especial da Profª Maria da Piedade Madeira Marques.
Deixamos a sugestão: colocar uma pequena lápide com a data de 25/3/1966 e a referência aos promotores directos, bem como ao seu restauro no seu cinquentenário.


Foto anterior ao restauro, como é bem visível
Os Nichos dedicados a Nossa Senhora (dos Caminhos) enquadram-se num plano da Mocidade Portuguesa Feminina lançado em 1962. 
Saiba + aqui

domingo, 3 de julho de 2016

Parabéns Travanca

Mais uma edição das Marchas Populares.
Mais um momento de afirmação da vontade e do querer das gentes de Travanca.
O "Adro da Igreja" foi o tema deste ano.
No polivalente do Areal desfilaram os grupos de Amor, Ribeira de Frades, Cheira, Lorvão, Semide e a marcha anfitriã.
Parabéns Travanca. Parabéns a todos os restantes grupos presentes.