28 abril 2026

Filipe Azadinho é o autor do Cartaz oficial da Queima das Fitas de Coimbra 2026


in Comarca de Arganil:

O jovem estudante da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, Filipe Azadinho, é o autor do cartaz oficial da Queima das Fitas de Coimbra para a edição deste ano.

A escolha foi anunciada na semana passada pela Comissão Organizadora do evento, que destacou a participação activa dos estudantes no processo de votação.

O feito assume particular relevância para o concelho nomeadamente para a freguesia de Travanca do Mondego, de onde é natural o seu pai, João Azadinho, figura conhecida na região que já exerceu diversos cargos autárquicos, nomeadamente o de presidente da Junta de Freguesia de Travanca do Mondego e de vice-presidente da Câmara Municipal de Penacova, bem como outros de cariz associativo.

A Queima das Fitas recorde-se, decorrerá na Praça da Canção entre 22 e 30 de Maio, na cidade de Coimbra.

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Também o Diário "As Beiras" de 29 de Abril deu a notícia:


 Já diz o ditado popular que "a terceira é de vez". A este desígnio da sapiência do povo pode também juntar-se outro que diz "não há duas, sem três". Os dois provérbios encaixam na perfeição em Filipe Azadinho.

A paixão e a vontade de aprimorar as suas técnicas no mundo do desenho levaram o jovem, natural de Coimbra, até à capital portuguesa e à Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, mas, aos 20 anos, foi da Lusa-Atenas que voltou a receber um forte motivo de celebração.

Após votação do público, o cartaz criado por Filipe Azadinho foi escolhido, através dos votos de estudantes de instituições de ensino superior de Coimbra, para ser a imagem oficial da edição
2026 da Queima das Fitas de Coimbra. "Ver um trabalho meu associado à maior festa académica do país é um orgulho muito grande", contou ao DIARIO AS BEIRAS.

EB1 de Coselhas, Agrupamento de Escolas Eugénio de Castro, Secundária Infanta Dona Maria e Secundaria Avelar Brotero são alguns dos estabelecimentos com marca na formação de Filipe. "Ao longo deste caminho, tive professores e docentes que me ajudaram e incentivaram o meu gosto pelo desenho", recordou. O trajeto em Coimbra, sublinhou, ajudou a "conhecer bem a cidade e as suas tradições", caso da Queima das Fitas.

Terceira candidatura

Depois de duas tentativas, em 2026 o seu cartaz foi o escolhido. "Foi o terceiro ano em que concorri e, como se costuma dizer, à terceira foi de vez". No terceiro e último ano da licenciatura em Desenho, Filipe Azadinho tem, pelo pai, ligação à localidade de Travanca do Mondego (Penacova). "Apesar de nunca ter vivido em Travanca do Mondego, o meu pai tem fortes ligações ao concelho de Penacova e sempre me habituei a estar por lá, na casa dos meus avós. Gosto de manter estas ligações às origens da minha família e faço-o, muitas vezes, através do desenho", contou.

Envolvido na TUBA-Tuna Universitária de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, Filipe faz parte da Secção de Jornalismo da Associação Académica de Coimbra e, desde o ano passado, da FANFarra Académica de Coimbra.

No cartaz vencedor, clarificou, o foco passou por "criar uma paleta decores rica e coesa, aliada a elementos gráficos simples". "Simplicidade" é a palavra escolhida pelo próprio para definir o trabalho que recebeu um prémio pecuniário de 500 euros. Este "marco que reforça" o seu portfólio, mas o foco, assegurou, para já, passa por “prosseguir o percurso e concluir a formação académica". 

Mural no Cantinho dos Reis

Filipe Azadinho já tinha criado, em 2026, o mural de homenagem da Real Tertúlia "Os Bobby's" a José Reis, proprietário do restaurante Cantinho dos Reis, em Coimbra. "O desafio do mural dos "Bobby's" representou muito para mim. Primeiro, por se tratar de um grupo de antigos estudantes que personifica aquilo que mais valorizo na vida académica: o convívio e as amizades para a vida. Depois, por ser no Restaurante "O Cantinho dos Reis", que e "a casa" de eleição de qualquer estudante de Coimbra", enfatizou.

Com "entusiasmo particular pela criação de personagens e lugares que fazem parte do imaginário", Filipe tem uma preferência em relação ao futuro: "Coimbra é a minha cidade e é aqui que ambiciono construir a minha carreira, especialmente na área do ensino". 

Emanuel Pereira

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Saber + sobre Filipe Azadinho


20 abril 2026

Barragem da Aguieira: o grave acidente de Março de 1979


A Barragem da Aguieira e todo o conjunto de obras complementares (barragens, rodovias, pontes) alterou a vida das pessoas, principalmente do Alto Concelho de Penacova, mexeu com as relações sociais e laborais, gerou expectativas de progresso e de desenvolvimento, deixou memórias, umas felizes, outras muito trágicas. 

Guardamos ainda o “Diário de Coimbra” de 7 de Março de 1979, que noticia o trágico acidente: 

“Quatro mortos e doze feridos - alguns deles com gravidade, mas já livres de perigo - é o balanço de novo desastre ocorrido ontem à tarde nas obras da Barragem da Aguieira. O desprendimento de um andaime colocado a cerca de noventa (90) metros de altura arrastou atrás de si os dezasseis operários que ali trabalhavam e se viram de um momento para o outro envolvidos numa queda espectacular, estatelando-se no solo uns em cima dos outros à mistura com ferros retorcidos e outro material do andaime desprendido.

«Não sabemos como aquilo aconteceu» - dizia-nos ontem na sala de Raios X dos Hospitais da Universidade um dos acidentados, António Jorge Baltasar - que muito a custo nos deu uma ligeira explicação do acidente. «Estávamos a passar material para baixo e de repente aquilo começou a desandar. Não sei mais nada».

O acidente ocorreu por volta das 16 horas e em Coimbra e na região logo se soube que algures ocorrera grave acidente, já que o alarme das várias ambulâncias perspectivava algo de anormal que fazia interrogar quem o ouvia. Dado o modo como ocorreu, logo se pensou tratar-se de um desastre de gravíssimas consequências, pelo que rapidamente foram accionados todos os meios de socorro disponíveis: nada menos que onze corporações de bombeiros, num total superior a vinte viaturas, incluindo algumas particulares. 

Enquanto umas ambulâncias procediam ao transporte dos feridos para os hospitais mais próximos - Coimbra, Penacova, Santa Comba Dão e Viseu - outros bombeiros empenharam-se no retirar dos feridos envolvidos nos materiais do andaime, para o que foi necessário recorrer à utilização de vários maçaricos. Esta tarefa de socorro foi extremamente dificultada pela natureza do local onde os infelizes operários caíram, pelo que só cerca de uma hora depois do acidente era retirado o último ferido, conduzido a toda a velocidade para o hospital mais próximo. Dos dezasseis sinistrados, três chegaram já mortos ao hospital de Penacova, enquanto que um quarto, conduzido para Coimbra, não viria também a resistir aos ferimentos, sucumbindo pelo caminho."


10 abril 2026